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terça-feira, 16 de agosto de 2011

A melhor Terapia!

Sou Terapeuta Ocupacional e já citei isso em algum momento. Sou por amor, paixão ardente. Amo ser TO, amo pensar o ser humano como um ser ocupacional.  Preparo atividades, fico lendo muito sobre a profissão e reflito diariamente sobre o impacto da doença no desempenho satisfatório das ocupações de cada indivíduo.

Atendo uma linda e simpática criança. Uma menina que teve Paralisia Cerebral e por isso processamento cerebral dela é diferente do nosso e meu papel como TO é ser a catalisadora das vontades dela, é auxiliar para que ela se torne, cada dia mais, independente, é favorecer o lúdico, enfim, meu papel é grandioso.

Hoje foi dia de atendê-la. Como faço semanalmente, 2x por semana. Mas, o atendimento de hoje foi a melhor terapia que já consegui fazer com ela.

Pensei em fazer um bolo fictício, mas que ela entendesse que é um bolo, era preciso que os ingredientes fossem os mesmos do bolo de verdade. Mas, também, como atendo em uma clínica, assar o bolo não daria, então não daria para juntar todos os ingredientes e perdê-los. Ok, leve farinha de trigo, peguei água e umas frutas de plástico, daquelas que se colocadas no congelador viram gelo. Mas, combinei com a mãe dela que em casa vão fazer o bolo de verdade!

Comecei a terapia com estimulação sensorial, tátil, apenas no trigo. Depois acrescentei água, frutas e quanto vi já tinha feito aquela lambança com a massa, usando as mãos. Não contente, coloquei o pé dela na mistura e ai sim foi massa pela sala inteira.

Eu ouvi minha paciente gritando, rindo, tagarelando. Perguntei diversas vezes se ela estava gostando e da sua maneira ela dizia que sim. 

Ao fim do atendimento, ela estava suja, eu estava zuada e a fisio foi a menos ilesa e ficou com poucas marcas.

Terminamos no banheiro da clinica, dando banho nela. Ela gritando e ainda conversando muito. Eu feliz da vida e com a certeza de que foi a melhor terapia.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Deficientes em pauta

Sou graduada em Terapia Ocupacional e pós graduada em Neurologia infantil. Sempre fui apaixonada pela minha profissão. Sempre amei o que escolhi para fazer e tenho a certeza dessa escolha e dos benefícios que trazemos aqueles que atendemos.

Durante a graduação passamos por diversos laboratórios de vivências, como o próprio nome diz, são vivências práticas de diversas situações que vão desde o trabalho com teatro, artes expressivas, costura indo para as atividades lúdicas, como brincar mesmo e até viver como uma pessoa deficiente. Andamos de cadeira de rodas, fazemos atividades com olhos vendados e sem o auxílio do membro superior predominante.

Com esses laboratórios aprendemos diversas coisas. Lembro-me em um dia, “passeando” de cadeira de rodas pelo campus, um leve decline, ao lado carros estacionados e eu guiando minha cadeira de rodas. Quando me deparo com o fato de não conseguir brecá-la e dou de frente com um fusca no meio fio. Por sorte cada aluno tinha um tutor e o meu me segurou para evitar uma colisão maior, mas também não evitou, para ajudar no aprendizado.

Parece pouco? Parece sem sentido? Mas não é.
Como posso orientar, intervir, atuar com uma deficiência se não vivenciei um laboratório e não sei qual a real dificuldade? Se não vivenciei as barreiras arquitetônicas? Se não sei como fazer transferência de uma cadeira de rodas para uma cama ou vaso sanitário?

A vivência, segura, é indispensável para a prática consciência! Fato! E hoje somos profissionais mais bem formados por sabermos o que limite, real, nas atividades do cotidiano e no desempenho das ocupações.

Entretanto, nossa prática (de vivência e profissional) não é suficiente quando as barreiras arquitetônicas são maiores e limitam o desempenho daquele que tem condições para ser autônomo. Barreiras arquitetônicas mais comuns são: calçada sem guia rebaixada. Bancos com escada e sem elevador. Barreiras sem assento elevado, barras laterais, torneiras com alavancas. Telefones e cardápios sem a linguagem em braile. E por ai vai... são muitas!

Por isso, diante de saber de todas as dificuldades e de ver o pouco que se faz por essa fatia da população, que hoje estou atentamente assistindo o programa A Liga, da Band, que traz exatamente essa temática e tem todo o potencial para atingir as pessoas certas para mudar esse cenário.