terça-feira, 26 de abril de 2011

Deficientes em pauta

Sou graduada em Terapia Ocupacional e pós graduada em Neurologia infantil. Sempre fui apaixonada pela minha profissão. Sempre amei o que escolhi para fazer e tenho a certeza dessa escolha e dos benefícios que trazemos aqueles que atendemos.

Durante a graduação passamos por diversos laboratórios de vivências, como o próprio nome diz, são vivências práticas de diversas situações que vão desde o trabalho com teatro, artes expressivas, costura indo para as atividades lúdicas, como brincar mesmo e até viver como uma pessoa deficiente. Andamos de cadeira de rodas, fazemos atividades com olhos vendados e sem o auxílio do membro superior predominante.

Com esses laboratórios aprendemos diversas coisas. Lembro-me em um dia, “passeando” de cadeira de rodas pelo campus, um leve decline, ao lado carros estacionados e eu guiando minha cadeira de rodas. Quando me deparo com o fato de não conseguir brecá-la e dou de frente com um fusca no meio fio. Por sorte cada aluno tinha um tutor e o meu me segurou para evitar uma colisão maior, mas também não evitou, para ajudar no aprendizado.

Parece pouco? Parece sem sentido? Mas não é.
Como posso orientar, intervir, atuar com uma deficiência se não vivenciei um laboratório e não sei qual a real dificuldade? Se não vivenciei as barreiras arquitetônicas? Se não sei como fazer transferência de uma cadeira de rodas para uma cama ou vaso sanitário?

A vivência, segura, é indispensável para a prática consciência! Fato! E hoje somos profissionais mais bem formados por sabermos o que limite, real, nas atividades do cotidiano e no desempenho das ocupações.

Entretanto, nossa prática (de vivência e profissional) não é suficiente quando as barreiras arquitetônicas são maiores e limitam o desempenho daquele que tem condições para ser autônomo. Barreiras arquitetônicas mais comuns são: calçada sem guia rebaixada. Bancos com escada e sem elevador. Barreiras sem assento elevado, barras laterais, torneiras com alavancas. Telefones e cardápios sem a linguagem em braile. E por ai vai... são muitas!

Por isso, diante de saber de todas as dificuldades e de ver o pouco que se faz por essa fatia da população, que hoje estou atentamente assistindo o programa A Liga, da Band, que traz exatamente essa temática e tem todo o potencial para atingir as pessoas certas para mudar esse cenário.

domingo, 17 de abril de 2011

REATECH

Ser Terapeuta Ocupacional  é estar ligado nas tecnologias de reabilitação e de acessibilidade. Pensando nisso é que o domingo foi dia de trabalhar atrás de novas possibilidades de atendimento na REATECH- Feira internacional de tecnologias em reabilitação, inclusão e acessibilidade (http://www.reatech.tmp.br/).  

A REATECH está na sua 10ª edição e a última que fui foi em 2006, portanto, a 5ª edição e desde então não consegui conciliar horários para ir visitá-la. Leia-se, então, eu estava super ansiosa e super esperançosa de encontrar super novas tecnologias. Trabalhar com reabilitação é fazer com que você sempre busque o melhor, a inovação.

A entrada do evento, muitas montadoras mostrando carros adaptados, inclusive é possível fazer test drive (diversas montadoras estavam presentes: Hyundai, Citroen, Fiat, Pegeout, Toyota...), alguns stands de instituições que trabalham com a temática da deficiência e um salão dedicado inteiramente ao esporte adaptado, inclusive tinha presença de atletas paraolímpicos, com o comitê presente com um stand enoooorme. Enfim, a feira é enorme!

Infelizmente, a expectativa de ver novas tecnologias orientadas para a reabilitação ficaram frustradas. O que a feira trouxe, é o que já usamos e já sabemos. A parte interessante ficou por conta do novo material que está sendo utilizado para confecção de cadeiras de rodas e materiais de acessibilidade: acrílico e o melhor: colorido! As cadeiras são mais: leves, fáceis de fazer assepsia, bonitas, charmosas e com a possibilidade de combinar a cadeira de rodas com os demais equipamentos para reabilitação, como por exemplo: prancha reclinável.

Esse novo material é interessante, além de ser mais, pode facilitar a aceitação das crianças quando é necessário o uso da cadeira de rodas. É um material que sai daquela convencional cadeira de rodas preta, com assento de lona, rodas grandes, enfim, feia e inadequada para crianças. #ficaadica.

Valeu o “passeio”, valeu as companhias, valeu ter ido. Mas eu esperava bem, bem mais da feira. Vou repensar se vale a pena o retorno no próximo ano!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Vontades de uma noiva

Minha vida não é apenas casar, tenho que trabalhar ainda, atender, gerenciar e cumprir outras muitas tarefas. Entretanto, um dos meus maiores prazeres é ficar curtindo, pensando em cada detalhe do meu grande dia.

O dia hoje foi de ver buffets, reunião, negociação. Alias, buffets estão pela hora do parto! Caro, céus. Mas, o importante é que tivemos muitos avanços. Os dois buffets contatados e onde fizemos a reunião, nos concederam muitos benefícios. Acho que já tenho minha preferência, mas quero degustar ambos para me certificar. Espero não estar errada! ;-)

Outro compromisso do dia foi reunião com um decorador. #Pausa# já tinha conhecido um, primeiro, decorador. Detalhe ao fato dele ter sido um fofo, compreendido minhas vontades e me passado um valor bem acessível. Gostei tudo! #Despausa#

Como fiz na primeira reunião com decorador, levei meu pen-drive com imagens de decorações que me atraíram de alguma forma. Aquelas decorações que fizeram sentido para mim. Assim acho que fica mais fácil do decorador saber meu estilo, minha preferência, afinal nome de flores e tipos não são meu forte. Sei que tulipas não dão em dezembro, para minha frustração!

Chegamos lá pude conhecer o trabalhado desse fornecedor. Trabalho muito bem elaborado, bonito de bom gosto. Gostei de vários detalhes e de algumas decorações. Sem problemas algum com o trabalho dele, eu é que não me atraio por decorações lotadas de flores, detalhes sofisticados. Gostei sim! O pecado foi apenas um, e talvez crucial, o fornecedor não considerou minha vontade, meus desejos e preferências.

Me mostrou tudo, falou bastante, e nos últimos quinze minutos, por minha insistência, é que viu as imagens que tenho salvas no pen-drive (imagens essas que não passam de 10!). E mesmo assim, após ver, não foi dada a importância aquilo que gosto.

Fiquei triste!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fim do mundo?

Hoje, por volta das 12hs, sai de uma das minhas jornadas profissionais. Encontro com a minha mãe, com a seguinte pergunta:

- Vocês tem televisão ai?
- Não, mãe. Porque?
- Nossa, uma rapaz entrou em uma escola e matou um monte de crianças, por volta dos 12 anos.
- Onde? Estados Unidos?
- Não! No Rio de Janeiro, Realengo!
(???????)

Brasil. Rio de Janeiro.
A história, com requintes de crueldade, aconteceu aqui. Aconteceu no Brasil!
E o que faltou a esse rapaz? Deus? Amor? Afeto? Educação? Proximidade com a família?
Será doença? Será dogma? Será história de vida?

E os pais e famílias desses pequenos? Como ficam?
E, a pergunta que não sai da minha cabeça: Como criar filhos nos dias de hoje? Tudo é fácil com acesso a internet. Os mecanismos de busca te ligam ao mundo, te ajudam a comprar tudo: de roupas, brinquedos, bebidas, passeios até drogas.

O que será da próxima juventude? O que serão dos meus filhos? O que será do mundo?
Ou seria o fim do mundo?